sábado, 7 de setembro de 2013
A Dor, a Alma e o Corpo
Minha alma insiste num caminho,
Em que o corpo anda contrariamente,
O corpo paga com a dor,
Enquanto a alma condena cheia de pudor,
Mas o que sabe a alma da dor do corpo?
O que sabe a humanidade sobre a alma,
Se aquela é feita de corpo?
O que minha dor sabe sobre minha alma,
Se seu desiderato é surrar o corpo?
E o que saberá o corpo sobre a alma,
Se somente é o invólucro retórico impudico de um pudor de alma que não sinto no físico?
Minha poesia é a contradição explosiva entre minha alma e meu corpo,
E a dor se camufla no contorno de cada letra,
E as lágrimas libertam-se a cada ponto!
Arrependimento e Morte

Esta dor é minha,
Eu escolhi,
Mas no fundo do poço é sombrio,
E só agora conheci,
Por que queres senti-la por mim?
Não há volta deste caminho,
Com neblina e uivos horrendos,
Não há volta desse seu caminho,
Que cega andastes,
Com sorriso de desprendimento e de vazio,
Por vingança ou ilusão,
Com a desculpa da carência,
Ou pela falta de afeição,
Livrou-se das próprias amarras,
Desprezou-se a vontade do mesmo coração,
Descobriu-se decidindo pela morte,
Não há o que se provar para o outro,
Mas para si mesmo,
Sorrindo e amando,
Chorando e odiando,
O único coração que se mata,
É aquele que reflete no espelho do arrependimento,
E o arrependimento é não matar o coração, por consciência,
Mas vê-lo sangrar numa dor que não se mata!
Não Engula

Extraia com a boca o suco,
E para ele dê qualquer rótulo,
Descreva qualquer sabor,
Mas não engula,
Mantenha na sua língua e devolva na minha,
Espalhe pelo meu corpo,
Num mapa de poros que respiram você,
Agora, deixe-me transitar pelo seu busto,
Pela saliência pigmentada tão peculiar,
Deixe-me espalhar o mesmo suco,
Misturado e quente,
Depois roubá-lo de ti para secar-lhe a boca,
Sim, é a sua saliva que quero sorver,
Porque é um suco que não se contém na sua,
Mas na euforia da minha!
Assinar:
Postagens (Atom)
