terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

PROFESSOR E ALUNO: Uma relação para sempre

















Inexiste possibilidade de falar em ética dos estudantes de direito sem se falar também da ética dos professores de Direito. O professor de Direito é somente um estudante mais qualificado e experiente, e ainda interessado e apaixonado pelas ciências jurídicas.
 
Quando indaga-se o que leva alguém a aceitar a função de professor de Direito, podemos contemplar diversas respostas, a menos provável seria a de que ele pode sustentar a si e a sua família. Certamente esta resposta seria dada por alguém que não tem vocação para o corpo docente universitário no que tange ao ensino jurídico. Mesmo porque, a remuneração não condiz com o que é apresentado pelo professor, diferentemente de alguns países asiáticos e até dos Estados Unidos.
 
É possível encontrar professores vocacionados, que acreditam no Direito como instrumento de solução de controvérsias; existem aqueles que querem viver juntamente com os mais jovens para enfrentar embates pessoais sobre sua própria existência; outros querem prestígio; outros ainda encontram nisto motivo de atualizar seus estudos sendo tão sinceros com os alunos que chega até ser arrogante e petulante.

Infelizmente, quando se fala em professorado no Brasil, constatamos de forma empírica (somente pela experiência e não pelo estudo) e genérica, e nem fazemos uma análise tão profunda para encontrarmos alguns casos extremistas. Por exemplo, professores que se utilizam da cátedra para fazer crescer e manter uma clientela fixa para os seus livros e apostilas (isto é consequência); ou ainda daqueles que têm problemas em casa e querem arranjar um desculpa para saírem de casa duas vezes por semana e esticar a saída para depois da aula, tornando-se companheiro de alunos em bares, e desfrutar da noite, em todos os sentidos.
Nosso país não investe na formação de professores, não existe um processo completo e real. Pode-se dizer que a pós-graduação, em sentido estrito, contribui para elaboração de teses importantes, mas não investe absolutamente nada para formação de educadores. Pois não há preocupação pela didática, pela psicologia educacional, pedagogia e outras modernas técnicas de transmissão do conhecimento – refiro-me a um Projeto claro, e não ao esforço de alguns Mestres que desesperadamente indicam caminhos para tanto. Ocorre que aquele que acredita saber sobre tudo, não passa de um ignorante que deveria ser excluído dos quadros de docentes do país, antes de encaminhar um aluno ao abismo.

O mínimo de técnica de ensino  ajudaria notáveis juristas para a transmissão do conhecimento! Importante, seria, que os professores aceitassem passar por uma reciclagem e aprendizado de tais saberes, o que ajudaria no aprendizado de todos.
Prioritariamente, o professor de Direito deve saber que ele não é um juiz, um advogado, um delegado, um promotor de justiça, ou qualquer outro profissional do Direito. Mas ele é o Professor, incumbido de formar um colega, preparados com ciência e ética. Não é difícil tornar-se cada vez melhor professor, principalmente aqueles que gostam do convívio com os jovens. Não bastam conhecimentos técnicos e sebosos, mas deve haver humanidade.


O professor além de ter um manuseio eficiente dos códigos e doutrinas, ele precisa ser um jurista ético para os seus semelhantes. O Professor deverá fornecer alternativas, e somente uma alma bem formada poderá faze-lo, pois pode enxergar naquele aluno/pessoa o que outros não podem.
Por outro lado, alguém deverá ter coragem de dizer aos alunos em que acreditar, descobrirem o valor da família e dos humanos, a solidariedade, do respeito pelo outro e suas diferenças.
Claro que os professores recebem, dentre vários, também alunos formados pela televisão, indisciplinados e desrespeitosos com os pais, acostumados com a liberação dos costumes, da permissividade geral. Homens e mulheres “de-formados”, pela ausência presencial dos pais, pela monstruosidade indizível religiosa, pelo desprezo aos idosos e crianças e pelo desprezo de si mesmos. E agora?
A atribuição de um professor é nobre e ainda está em tempo de resgatar as qualidades que lhe são peculiares, aceitar que sua missão envolve mais do que ensinar direito. Do verdadeiro mestre se aguarda a transmissão de lições e práticas do respeito, da amizade e da compreensão. Com isso será reconhecido que a escola de Direito deve formar bons profissionais, que além de técnicos sejam cidadãos conscientes.

As escolas em geral não estão educando para a vida. Não interessa a Universidade, a Reitoria, a Faculdade, a Direção, porque aquele que está no nosso dia a dia é o Professor, a relação que se estabelece entre Professor e Aluno é pessoal, intensa, complexa, palpável e duradoura.

25 comentários:

  1. Parabéns pelo artigo caro professor Dellova!
    Gostei muito do artigo, porque o texto faz menção às questões relacionadas aos aspectos educacional,religioso, ético, humanitário, os quais ultimamente estão sendo relegados a segundo plano por muitos educadores e pais.
    Também acho muito importante que as escolas temnham professores com uma boa formação, mas o bom relacionamento entre alunos e professores é de suma importância para que os alunos se sintam confortáveis e tomem gosto pelas aulas ministradas dentro da sala de aula.

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    1. Obrigado pela participação caro Medina. Forte abraço!

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  3. Parabéns amigo pelo artigo...Muito bom!!
    A possibilidade de se estabelecer uma relação professor-aluno, acontece pela capacidade de amar sua profisão,ele tem que ter a disponibilidade de ensinar o aluno, atualizar suas próprias potencialidades, permitindo que tanto ele, quanto o aluno, cresçam e se humanizem.
    O bom professor é o que consegue, enquanto fala, trazer o aluno até a intimidade do movimento do seu pensamento. Sua aula é assim: Um desafio... Seus alunos cansam mas não dormem, Cansam porque acompanham as idas e vindas de seu pensamento, que se surpreendam nas suas pausas, nas suas dúvidas e nas suas incertezas. Hoje se fala tanto em ética, mas o que é certo pra um é errado para o outro, ou seja, ética é respeitar a liberdade do outro, os costumes e valores que são norteados pelo comportamento do indíviduo no grupo social, ou seja, viver bem consigo mesmo. Ela é fundamental para um desempenho qualificado e promissor, pois através dela o indivíduo mostra seus valores, sua conduta e a firmeza de sua personalidade.
    Paulinha

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    1. Obrigado caríssima Paulinha, pelo carinho e consideração de sempre...um beijo!

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  4. Professor, achei seus apontamentos meio óbvios, e cheios de clichês no que tange ao despreparo, falta de motivação correta dos professores, uma análise meio "DÉJÁ VU", confesso que foi esta minha primeira impressão ao começar a leitura do artigo, seria mais um dentre tantos outros, com uma diferença primordial, no seu caso, acredito estar chancelado com a credibilidade dos seus alunos e amigos que são despertados, motivados, provocados pela sua forma sui generis de ensinar com interece, paixão, inteligência refinada...

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  5. Caro Marcos, salve!
    Muito grato por acompanhar o Blog e comentar os textos. Sua opinião é muito importante!
    Forte abraço!

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  6. "mas não investe absolutamente nada para formação de educadores. Pois não há preocupação pela didática, pela psicologia educacional, pedagogia e outras modernas técnicas de transmissão do conhecimento – refiro-me a um Projeto claro, e não ao esforço de alguns Mestres que desesperadamente indicam caminhos para tanto."

    Desde o primeiro ano de faculdade, é isso que defendo...todos os professores que já passaram em minha vida academinca o conhecimento é indiscutível, porém não há didática. Alguns aceitam opinião quanto a isso e tentam progredir enquanto outros simplesmente levam isso para o lado pessoal e deixam de crescer como profissional. Infelizmente!

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    1. Minha caríssima Gleice, salve!
      Torço pelo sucesso na sua vida pessoal e profissional, e fico feliz em saber que reflete sobre as questões acadêmicas e sobre as técnicas de ensino-aprendizagem, e mais do que isso, vive intensamente a academia jurídica, agraciando-me com dedicação e bom desempenho! Aproveito para parabenizar pelo livro escrito e indago se há algum exemplar para aquisição. Forte abraço e felicidade sempre!

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  7. Segue o link onde partilho das minhas loucuras mentais, rs: http://www.glegood.blogspot.com.br/

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    1. Desejo que volte a alimentar o seu blog, não pare nunca!! Beijo!

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  8. Bem ressaltado caro professor, na verdade existem professores que não estão ai pra nada, estão tão somente voltados ao seus proprios interesses, valores e conceitos,estão pouco se ferrando se irão formar bons juristas ou não esta é a grande verdade.

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    1. Obrigado pelo comentário meu caríssimo Alex....forte abraço!

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  9. Muito bem ressaltado caro Dellova,esta é a grande realidade que vivemciamos nos dias de hoje professores totalmente voltados aos seus proprios valores e conceitos, esquecendo totalmete que estão a formar cidadãos que poderam mudar a droga deste Pais. Parabens....

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    1. Muito grato pela leitura e comentário meu caríssimo Alex...abraços!

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  10. Texto excelente e deleitoso,bravo!

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    1. Bravíssimo....obrigado pelo apoio e pelos comentários tão respeitosos! Abraços!

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  11. Concordo, professor! o país deveria ter um projeto em que fosse obrigatório o aprimoramento e reciclagem de tempos em tempos, de todos os professores, de todos os níveis. É um prazer para o aluno ter aulas com um professor que tem o "dom" de ensinar, porém, vejo que outros professores que são apenas "medianos", poderiam transformar-se se investissem em técnicas de ensino, PNL, sei lá mais o que....rsrsrsrs Concordo que esse também é um grande passo para modificarmos o ensino e em consequência, a educação em nosso país. Abraço!

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    1. Concordo plenamente contigo...um forte abraço Cleo!

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  13. Caro Mr. Dellova, me sinto com sorte quando penso que temos você como nosso mestre, dado à sua paixão e entrega pelo que faz. Acho que seu trabalho é muito honesto. Em contrapartida, acho que as instituições de ensino no nosso País, principalmente as privadas, têm uma grande responsabilidade social em prover nosso povo com mecanismos para que tenhamos uma vida cada vez mais digna (tirando aqueles que não querem tê-la, e não aceitam sugestões de mudança). Isso deve se refletir na reitoria, na administração das escolas e faculdades, nos conselhos de cada uma. Um abraço!!!!

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  14. Professor ,excelente artigo ! Parabéns pela sua trajetória .suas aulas são cativantes .Abraço .

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