quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

UMA VIDA DE MORTE!

Minha pele, carne e ossos,
 
lançados para quaisquer lugares,
 
sem repouso de alma,
 
E as palavras, nenhuma delas, definem a dor,
 
a maior dor,
 
sem cor,
 
de um nublado amor,
 
E enfrenta dragões, criados no castelo de sonhos,
 
Agora em ruínas, e num silêncio ensurdecedor,
 
Que se agiganta infinitamente,
 
Que dissolve os dentes na própria carne,
 
Estraçalhada,
 
E desenhada de cicatrizes de arte,
 
que arde,
 
num fogo gelado de desprezo,
 
de tristeza e de peso,
 
agravado na ausência do abraço,
 
do narizinho,
 
de seu movimento e carinho,
 
de sinceridade e verdade,
 
E agora, terrorista suicida da própria felicidade,
 
aguarda o sepultamento de suas partes,
 
encontradas uma a uma, porque inteiro não restou.
 
E a alma?
 
Ah, sim!
 
Para ela também há tédio,
 
ferimento incurável de dor permanente,
 
o vazio e sem qualquer remédio!

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

DES-HUMANIZAÇÃO PELO ÓPIO


Em cada semblante,

A exteriorização da frustração arraigada,

Incompreendida, e sob o manto da mentira sagrada,

O ódio por si mesmo,

O ódio pelo ódio,

O ódio pelo não entendimento do próprio ódio,

O ódio pelo sorriso, pela existência,

Numa triste aparência,

O ódio,

Que é ópio,

De uma dor que degenera,

E quem dera,

Soubesse ela,

Que entortar a boca, e com inveja,

Entorpece a alma numa cela,

E a felicidade, como rótulo,

Um invólucro,

Da hipocrisia e da estupidez,

Das inverdades e verdades,

Não da lucidez, mas da surdez,

Própria de quem ama o ódio,

Que é ópio,

E distrai,

Do sorriso que atrai,

Não o rótulo, mas a paz,

E disfarça a ferida,

Mantida,

No homem que se desfaz!

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Numa sombra!

















Amore, o escritor está entregue assim,

lisonjeado por palavras carinhosas e verdadeiras...

mas não pedirei que explique...

não pedirei que conte os erros e acertos,

e não pedirei que se apaixone mais, ou menos,

mas pedirei que seja você mesma,

no controle da razão necessária, no colorido sincero,

de boca úmida e olhos fitos e adolescentes,

de quem pede e recebe o abraço quente,

não de mente,

mas de fogo, de físico, aparente,

daqueles que envolve quem se deixa envolver nas

ternuras indizíveis e inexplicáveis da humanidade,

na intensidade expandida, e sem fim, na sombra da loucura presente,

que sente,

num ser amável, o repouso e o frágil,

que entregue ao desconhecido, como quem anda para o abismo, mas antes da morte

descobre o vento,

em movimento,

e a queda

e a sensação de liberdade,

e não importa o fim,

pois a carne dilacerada não destrói a alma em ascensão,

livre para onde quiser ir, livre para habitar, inquieta e inconstante.....

e nem que seja por um instante,

não se pensa, quando se quer amar!